Para as crianças, a brincadeira é uma experiência de autoprodução, isto é, elas se criam e se recriam ao brincar. Nesse viés, experiências (e aprendizagens) significativas para as crianças são aquelas que despertam seu interesse, geram prazer e convidam a penetrar no universo lúdico. A brincadeira é tratada como uma linguagem, assim como a escrita, a oralidade, as artes visuais, a música e a corporeidade. A brincadeira, entendida como linguagem, se configura por meio da capacidade humana de imaginar, de transformar uma coisa em outra, de dar significados diferentes a determinado objeto ou ação.
Até cerca dos oito anos de idade a criança vivencia o espaço ao seu redor com o corpo inteiro, de forma lúdica, sem se preocupar em entender o mundo de maneira intelectual. Ela se apropria do ambiente por meio de brincadeiras, utilizando movimentos livres, como rolar, correr, dar cambalhotas, saltitar, brincar em roda, dançar etc. Desta forma, a atividade lúdica favorece o desenvolvimento motor e a percepção de si, do outro e do mundo, instrumentalizando a criança para atuar na sua realidade e permitindo a expressão do pensamento e dos sentimentos.
É extremamente importante brincar nas áreas externas, de preferência em contato com a natureza, vivenciar o brincar criativo e a interação com elementos da natureza faz com que a criança crie uma ligação afetuosa com o mundo. Ela se conecta com a terra, com a água, com o vento, com os seres vivos ao seu redor, e compreende que faz parte de uma teia da vida e, que por ser um dos fios que a tecem, precisa atuar no sentido de preservar os seres vivos e o meio ambiente.
Assim, o brincar é fundamental para o processo de desenvolvimento e aprendizagem na medida em que permite que a criança se aproprie do seu corpo, o movimente no espaço, o relacione com o mundo e se diferencie dele, construindo o seu existir. Os estímulos externos advindos das brincadeiras e diferentes brinquedos e formas de brincar exercem função importante junto ao desenvolvimento psicomotor e processo de aprendizado da criança. Ao perceber e processar as informações captadas do mundo externo, a criança adquire conhecimento corporal, exercita e refina suas habilidades de preensão, coordenação óculo-manual, coordenação motora global e adquire noções espaço-temporais.
A forma como a criança se expressa com seu corpo, conduz o corpo no espaço e age com ele no tempo estabelecerá o contato que terá com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o mundo onde estabelece ligações afetivas e emocionais. Assim, o espaço tem um caráter simbólico, pois oferece um ambiente de cumplicidade, que permite a emergência das singularidades, das diferentes identidades, das experiências, dos sentimentos e das emoções. Saber respeitar o tempo de cada criança, propiciar um ambiente favorável à sua exploração e acolher suas descobertas são, nesse sentido, tarefas essenciais da Educação Infantil.


